"Amem sem cor, raça ou gênero."

On 18:55 by LL in , , ,    1 comment
O programa Big Brother Brasil 10, como já falamos aqui, ao colocar três homossexuais assumidos como competidores ajuda sobremaneira a causa arco-íris. Entretanto, há algo que merece nossa preocupação: os erros básicos que Dicesar, Sérgio e Angélica cometem quando tentam falar da diversidade de orientação sexual.


Reforça-se: a força que o trio está dando à visibilidade LGBT é maravilhosa, mas aqui vão só umas dicas para que nós não “façamos isso em casa”, no trabalho, na mesa de bar, no churrasco etc.


Opção sexual x orientação sexual - Angélica, que a cada dia se mostra mais forte e incrível e mesmo sendo jornalista, derrapa no que a ciência e a psicologia falam a respeito de homo, bi e heterossexualidade. A sister já disse muitas vezes que a “opção sexual” dela isso ou aquilo. Opção?! Ainda bem que ela não está no “Um contra 100″, do Roberto Justus. A expressão está errada.


Ninguém opta por gostar de homem, de mulher ou dos dois. Apenas se gosta. Está-se falando aqui de sexualidade e não de sabores de sorvete para se escolher. O termo correto é orientação sexual, que diz respeito a que tipo de pessoa para o qual estão orientados seu desejo e sua afetividade, se para indivíduos do mesmo sexo, de sexo diferentes ou para os dois. Opte pelo nome correto, ok?


Homossexualismo x homossexualidade - Estréia de programa, dois gays super fervidos e uma lésbica tranqüila estão no BBB, apresentador super animado, audiência arco-íris idem…. Eis que Sérgio, bem intencionado, tem uma fala sobre o respeito à diferença e lasca um homossexualismo no meio da oração. Ouvir isso dói em alguns, sabia?


A defesa que ativistas e psicólogos tem das palavras bissexualidade, homossexualidade e heterossexualidade vem da proposta de deixar bem para trás o tempo em que não ser hétero era ser doente. O “ismo” no final é comum em palavras que nomeiam doenças: tabagismo, alcoolismo, reumatismo.


Desde a década de 90, gostar de pessoas do mesmo sexo ou dos dois sexos não é considerado doença pela Organização Mundial de Saúde. Para marcar essa grande conquista e a visão psicológica de que a orientação sexual é só é mais um traço da personalidade de cada um, prefere-se, e muito, falar as palavras sem esse “ismo”.


Homem x gay - Dicesar, muitos de nós te amamos. Ok, às vezes, você fala demais, mas a gente até releva, agora, dizer que você é gay e que o Cadu é homem… Nãããão! Tá, o Cadu é o homem dos sonhos de muitos, mas isso é outra coisa. O que o brother colorido confude é gênero com orientação sexual. Uma coisa é ser homem e ser mulher. Aqui se trata do campo do gênero. Outra coisa é a orientação sexual.


Homem que gosta de homem e mulher que gosta de mulher são homossexuais, quem gosta dos dois sexos, bissexual e quem deseja apenas do outro sexo é hétero. Ser gay não faz ninguém ser menos homem assim como ser lésbica não extirpa o gênero feminino dela. Pelo contrário, só se é gay ou lésbica se se for homem ou mulher respectivamente. Daí, se haver desejo direcionado ao mesmo sexo, configura-se a homossexualidade. Em tempo: essa regra não vale na cama, ok? Nela, tudo pode. E o politicamente correto fica bem quietinho na sala de estar, sem apitar nada.

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