"Amem sem cor, raça ou gênero."

Um romance além do arco-íris
Beijando Jessica Stein tem quase tudo pra ser mais uma comédia romântica tipicamente americana. E se você pensa que o que falta é a Meg Ryan, errou feio. Falta o Andy Garcia, falta o Tom Hanks, falta o Matthew Broderick. Não, nada de galãs sedutores por aqui.

Quem nunca pensou, naqueles altos momentos de solidão, em dar uma olhadinha no correio sentimental do jornal? Mas, ora, hoje em dia tem internet, tem milhares de sites que juram que acham pra você a sua alma gêmea... tem também o ♀♀ LezLove ...

Jessica Stein (Jennifer Westfeldt), jornalista, um pouco tímida, um tanto paranóica, uns probleminhas com seu chefe, pintora não-assumida nas horas vagas. Sua família constantemente comenta (na sua presença, claro) o fato de ela não conseguir fazer seus relacionamentos durarem. Seu irmão vai se casar e bate aquela sensação de "vou ficar pra tia" que ninguém deseja nunca sentir, mais pra não ser cobrado do que porque odeia ficar sozinho mesmo.

Dado importante: Jessica não gosta de computadores e não manda emails. Complicado pra ela seria ir aos sites de encontro virtual. Jornal é fácil. Ela resolve responder a um dos anúncios. Um que cita Rilke. Por que não responder, por que não se arriscar? E arrisca. Mas *detalhe*: o anúncio saiu da seção "mulher procura mulher", e é aí que Jessica conhece Helen Cooper (Heather Juergensen), curadora de arte, descolada, sedutora, muitos amigos, vida sexual ativérrima, um passado cheio de homens, procurando novos caminhos pra encontrar o amor da sua vida. E resolve dar uma chance às mulheres, por assim dizer. E aí vocês já sabem, rola aquele "click", elas se descobrem almas gêmeas. E até aí, mais uma comédia romântica típica. Mas o filme vai além.

A relação com a família, a diferença das vidas que levam, os problemas em se

Os melhores amigos de Helen são um casal de homens, a melhor amiga de Jessica é heterossexual, casada e está grávida. Não são mundos tão diferentes assim. O que eles têm em comum? O amor. E amor todo mundo sente igual, homem, mulher, hetero, gay... E toda a atmosfera do filme mostra isso, é tudo muito natural e é tudo muito aconchegante.

O amor. Jessica ama Helen e suas ousadias,
Helen ama Jessica e suas preocupações. A família ama Jessica e sua namorada, e não APESAR DE. Simples e quase inverossímil de tão lindo. De dar arrepios. De se emocionar.

 
Assumir ou em não conseguir se assumir, os medos, a cumplicidade, a ternura, a honestidade e, principalmente, a amizade de Jessica e Helen fazem deste não apenas mais um filme meg ryaniano. Mais do que um filme que discute abertamente a homossexualidade.

(Kissing Jessica Stein, EUA, 2002).



Trailer:



Um comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...