"Amem sem cor, raça ou gênero."

On 13:13 by LL in , ,    No comments

Ser mãe era apenas sinônimo de parir o filho e de colocá-lo no mundo, de "dar a luz" como se diz. Hoje em dia o simples "dar a luz" não basta. O depois, o dia a dia, a vida inteira de uma pessoa está baseada na educação que a mãe dessa pessoa lhe deu.

O pai "faz" o filho, a mãe carrega esse filho por nove meses, traz ele ao mundo e tem a missão de prepará-lo para a vida. Isso, na família tradicional, em que havia um pai provedor dos mantimentos e responsável pela proteção física e material da família. Hoje, a realidade do que se entende por família é bem diferente. Mais diferente ainda, quando se trata de família formada por mãe lésbica.

Com educação castradora, a mulher, reproduzindo os modelos de educação machistas, preparavam e ainda preparam os filhos machos para serem garanhões e as filhas fêmeas para reprimirem seus sentimentos e serem submissas ao mundo machista.

Quantas filhas lésbicas não se tornaram mulheres, não se casaram e repetiram com os seus filhos a educação que receberam? Quantas mulheres não suportaram o peso de um homem sobre si por anos a fio, e até que a morte os separasse, por medo de assumir sua sexualidade? Incontáveis almas foram infelizes nesses muitos anos em que a mulher foi reprimida e proibida de ter direitos os mais básicos, como o de sentir prazer sexual.



Mães lésbicas, em todas as épocas, foram as mais discriminadas. Como a mulher não demonstra muito a sua sexualidade homossexual, acaba por camuflar, por esconder sua verdadeira essência. Muitas mães lésbicas nunca sentiram prazer com seus maridos, viveram e morreram vegetando, deitando e levantando sem nunca terem experimentado um orgasmo. Muitas delas jamais assumiram seu desejo por outra mulher, outras tantas jamais tiveram um contato físico-sexual com outra mulher. Repressão, repressão e repressão é o que viveram durante a vida inteira.

Subalternas, subjugadas, submissas, as mulheres enfrentaram séculos de repressão e muitas delas ainda enfrentam situações caóticas em suas vidas. Espancadas, assassinadas, sem que nada se faça para estancar essa violência desmedida contra um ser tão frágil e tão especial na cadeia da evolução do homem.

Mas a natureza não pára de evoluir, e atualmente já temos alguns exemplos de luta com final vitorioso. Se a poeta Ana Cristina César só conseguiu demonstrar sua angústia através dos poemas, reveladores de sua homossexualidade, outras tantas como Ana Carolina e Kássia Eller foram além e, no caso dessa última, mesmo após a sua morte, a justiça reconheceu o direito de sua ex-companheira de ficar com a guarda do filho da Kássia Eller.

Mas isso ainda é muito pouco. Não se vê muitas mulheres se assumindo como homossexua e sendo respeitadas como seres humanos que são. Não se vê muitas mulheres em luta por direitos iguais. Direitos outros, seculares, lhe são negados, que até passa de roldão o direito à livre expressão sexual.

Não parem mulheres guerreiras, não parem de lutar, lembrem-se das 129 operárias que morreram queimadas numa ação da polícia para conter uma manifestação numa fábrica de tecidos, em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A luta daquelas mulheres guerreiras não deve ser esquecida... Unam-se mães, no dia das mães, no dia Internacional da Mulher, unam-se TODOS OS DIAS do ano, para lutar pelo direito de ser livre para amar, de ser livre para ser mãe, ser solteira, ser lésbica. Lutem por mais essa causa, que a vida merece muito mais que filhos educados para serem machistas.

A vida merece a liberdade e o direito igual para todos.
Feliz Dia das Mães!

Homenagem da Rede LEZLOVE ♀♀

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