"Amem sem cor, raça ou gênero."

On 11:03 by LL in , ,    No comments
Entre apenas mulheresAmar outra mulher pode assustar quem foi criada num mundo para amar apenas o sexo oposto. E, no meio do susto, por falta de informação, coragem e até incentivo, muito dos relacionamentos homoafetivos entre mulheres se transformam em histórias dolorosas, viram alvo de preconceito e acabam veladas.

Com sensibilidade de sobra, a pesquisadora de assuntos envolvendo a diversidade sexual Edith Modesto, acaba de lançar uma obra que promete dar luz a essas relações que vivem à sombra. No livro "Entre Mulheres - depoimentos homoafetivos" (Edições GLS, 2010), ela usa muito do que escuta atrás das cortinas do movimento para construir um texto cheio de verdade.

Nas histórias que relata, todas cheias de verdade e sentimento, conta mais sobre as descobertas e as angústias de lésbicas de diferentes idades quando ao assunto é coração! É uma seleção de desabafos misturada a pedidos de socorro. "Os assuntos varrem todos os aspectos da vida de uma mulher lésbica ou uma jovem em processo de descoberta, aceitando ou recusando a sua própria orientação sexual e afetiva", antecipa.
Os depoimentos foram recolhidos ao longo dos anos, nas atividades onde Edith se envolve, como pesquisadora e militante de projetos de apoio a jovens homossexuais e suas famílias.

"Eu converso com pessoas, jovens e adultos, LGBTs, todos os dias. A minha especialidade é famílias de origem de LGBTs e fundei a ONG GPH - Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais e o Projeto Purpurina, jovens LGBTs de 13 a 24 anos", conta. "O livro traz depoimentos de mulheres homossexuais, mas poderiam ser mulheres negras ou em condições socioeconômicas de risco. Meu interesse é a mulher, que muitas vezes sofre duplo, triplo preconceito. É uma obra em defesa dela, que é cidadã, que tem direitos que precisam ser respeitados".

Entre as maiores angústias e dificuldades que enfrentam as mulheres lésbicas, segundo Edith, está a aceitação pela família de sua condição sexual e afetiva. Depois, elas sofrem por não serem aceitas como são na escola ou no trabalho, pela sociedade em geral. "Resumindo, a maior dificuldade ainda é enfrentar o preconceito contra as diferenças sexuais e de identidade de gênero".

Por isso mesmo, além da discussão das relações entre elas, o livro também enfoca a relação na família, com relatos brigas, mentiras, chantagens e ameaças. Mas, claro, há histórias de compreensão também. "A aceitação da diversidade tem crescido a passos largos. Já temos famílias homoafetivas muito bem aceitas, pessoas que se revelam homossexuais publicamente e são respeitadas e até admiradas como tal".

A autora lembra que, como a maioria das mulheres, as lésbicas são muito afetuosas e gostam de estar com alguém que as ame. "O relacionamento entre elas costuma ser muito bom, já que não há machismo atrapalhando. Além disso, sexualmente, uma mulher sabe o que outra gosta mais facilmente do que um homem", garante.

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