"Amem sem cor, raça ou gênero."

'Flores Raras', que começa a ser filmado em 11 de junho, narra o romance da poeta americana Elizabeth Bishop com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. Segundo os produtores, homossexualiade afastou patrocinadores privados.


Glória Pires  vai encarar um novo desafio a partir de segunda (11/6), quando começam as filmagens de “Flores Raras”, novo drama do diretor Bruno Barreto.

A atriz que se projetou ainda adolescente na novela em “Dancin’ Days” (1978), fez trabalhos marcantes na TV como “Cabocla” (1979) e “Vale Tudo” (1988), e recentemente viveu a mãe de Lula, no filme “Lula, o Filho do Brasil” (2009), vai viver uma arquiteta lésbica em seu novo projeto.

A versátil atriz realizou provas de figurino e testes de maquiagem no final do mês de maio e já está pronta para filmar na cidade carioca de Petrópolis. O longa será uma adaptação do romance “Flores Raras e Banalíssimas”, de Carmem Lucia de Oliveira, que conta a história real de Lota de Macedo Soares, responsável, nos anos 1950, pelo projeto do Parque do Flamengo no Rio do Janeiro, o maior aterro urbano do mundo.

As atrizes Glória Pires e Miranda Otto (Senhor dos Anéis e A Guerra dos Mundos) vão formar um par romântico no novo filme do diretor Bruno Barreto, Flores Raras, que começa a ser rodado no próximo dia 11. O filme é baseado no livro Flores Raras e Banalíssimas, de Carmem Lucia de Oliveira, e narra o romance entre duas mulheres com personalidades bem diferentes: a poeta americana Elizabeth Bishop, ganhadora do Prêmio Pulitzer de 1956, e a brasileira Lota de Macedo Soares, idealizadora do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.


Uma terceira personagem completa o núcleo da trama: Mary, interpretada pela americana Tracy Middendorf. que também foi companheira de Lota, amiga de Bishop e a responsável por apresentá-las. A narrativa gira em torno das três personagens, o que levou os diálogos a serem quase que exclusivamente em inglês. Por esse motivo, o roteiro inicialmente escrito por Carolina Kotscho foi revisto e finalizado pelo americano Matthew Chapman. O elenco conta, ainda, com Treat Williams (o hippie Berger, de 'Hair'), como o poeta americano Robert Lowell, e Marcelo Airoldi, interpretando o governador Carlos Lacerda, grande amigo de Lota.

Lota e Elizabeth Bishop viveram juntas entre 1951 e 1965. A história de amor teve um fim trágico, com o suicídio de Lota, em 1967, algum tempo após a separação. Na maior parte do filme, a homossexualidade das protagonistas será tratada de forma sutil. A exceção ficará por conta da cena que retratará a primeira noite de sexo das duas.

"O único momento será essa cena, que marca o encontro das duas. Também não seria correto omitirmos ou evitarmos esse aspecto", disse Barreto.

A história de amor vivida por Lota e Bishop não seduziu patrocinadores, segundo os produtores, devido ao receio de atrelar a imagem de suas empresas a um filme com protagonistas homossexuais. Orçado em 13 milhões de reais, Flores Raras será o primeiro filme da história da produtora LC Barreto a iniciar as filmagens sem a captação dos recursos ter sido concluída. Até agora, os produtores levantaram 9 milhões de reais - incluindo recursos do BNDES, Fundo Setorial e outras fontes públicas -, enquanto os 3 milhões restantes foram obtidos através de empréstimo contraído pela própria Lucy Barreto.

"Em 50 anos, isso nunca aconteceu. Minha mãe precisou deixar ações com caução no banco. Não entendo esse preconceito. O filme nem explora a questão de forma muita explítica. Mas decidimos rodar porque esse era um filme que precisava ser feito. É um sonho antigo. Esperamos que o empresariado mude de ideia."

Flores Raras terá cenas gravadas no Rio de Janeiro, Pedro do Rio (distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio), Nova York e Paris. As filmagens acontecem em junho, julho e agosto. Na fase de pós-produção, a tecnologia 3D ajudará o filme a reconstruir a antiga paisagem do Aterro do Flamengo e da Praia de Copacabana.

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