"Amem sem cor, raça ou gênero."

Titi Muller  poderia ser facilmente rotulada: linda, simpática, desbocada, marrenta e outros tantos adjetivos, porém nenhum deles parece ser suficiente para descrever a gaúcha de 27 anos. Em nova etapa da vida - uma muito mais tranquila, diga-se. Ela está escalada para a transmissão de shows pelo canal a cabo Multishow, e aguarda o lançamento do seu primeiro filme, sua estreia no cinema. Em "Do Lado de Fora", com lançamento marcado para 2014, ela dá vida a Marília, uma ativista lésbica.
“Do Lado de Fora” conta com três núcleos de LGBTs mostrando como é sair do armário. O primeiro é composto por adolescentes, o segundo por um casal já mais maduro - interpretado por Marcello Airoldi  e Andre Bankoff  - e no terceiro Titi faz par com a atriz Fernanda Viacava . “Eu amo o filme porque deixaram tudo muito leve. Ele mostra que nem sempre rola um drama quando alguém se assume gay”, conta a apresentadora.


Namorada do ex-baixista da banda Fresno,
 Rodrigo Tavarez , Titi fala com naturalidade sobre as cenas de beijo com a parceira de cena. “A gente se deu muito bem, eu achei até mais fácil fazer a cena de beijo com ela do que com um homem. Mulher se toca mais, se pega, se abraça, você tem mais liberdade ao se relacionar com uma mulher“, diz.

Apresentadora fala de sua estreia no cinema no papel de uma lésbica no filme “Do Lado de Fora”, com estreia prevista para 2014, de sua relação com o universo gay, carreira e sexo

A apresentadora começou a carreira na TV em 2009, apresentando o programa "Podsex". O projeto que se iniciou no site da MTV logo caiu nas graças do público, e Titi passou a ser uma referência quando se fala de sexo. Tanto que voltou a abordar o assunto no "MTV Sem Vergonha", entre 2012 e 2013.
“Sempre tive um papo muito reto com meus pais", diz ela. "Minha irmã (a atriz Tainá Muller ) começou a namorar aos 15 anos e era eu que abria a cabeça do meu pai, gaúcho, machão, que tem uma distribuidora de pneu. Modéstia à parte, foi um trabalho quase social”, lembra ela. Com a mãe o dialogo era mais fácil, e Titi chegou a contar quando transou pela primeira vez.
“Eu já namorava há um tempo e ela se importava comigo dormindo na casa dele, então falei: ‘Mãe, se eu quiser transar posso transar na escola, no carro, no banheiro, em qualquer lugar’. Ela aceitou, e foi só uns três meses depois disso, eu dormindo sempre na casa dele, que transamos”, se diverte ela.
Com discursos feministas e de liberdade sexual (nada enfadonhos), Titi dispara: ”Em uma coisa sou panfletária: se quer dar na primeira vez, dá. Se ele nunca mais te ligar, bacana, você já eliminou um babaca da sua vida. Se foi ruim, bacana também, porque já sabe que esse cara não rola”, argumenta. “Olha: acho que transar por transar é bom, mas amo ter café da manhã na cama e tô sempre namorando”, confessa ela, que já foi casada e morou junto com seis namorados na última década.

A Xuxa dos Gays

“Se tem uma mesa de gay no bar, por que vou sentar com os héteros? Não dá não. Não tenho nenhum amigo hétero, só os namorados das amigas", decreta ela. Titi acha a falta de julgamento a maior qualidade dos homossexuais. “Às vezes tu conta para uma menina algo e ela acha uma barbaridade, mas os gays acham normal. Eles são mais honestos. Como na maioria das vezes eles passam pelo lance de se assumir, cai a hipocrisia.”
E são os amigos gays sua maior inspiração para a vida e os relacionamentos: “Tenho dois amigos em Porto Alegre que estão juntos há 13 anos, eu amo eles de paixão. Quando vou para lá, durmo no meio deles, olha que empata foda!”, debocha ela. Mas uma coisa é séria: eles são uma parte importante do seu plano B: “Se até os 30 e muitos eu não tiver filho e o relógio biológico estiver gritando, eles vão ser os pais. Caso isso não aconteça, tenho útero pulsante e uma fila de amigo gay pra colaborar.”


Em uma coisa sou panfletária: se quer dar na primeira vez, dá. Se ele nunca mais te ligar, bacana, você já eliminou um babaca da sua vida.
A relação com o universo gay vem de pequena. Na sua infância, sua mãe era dona de um salão de cabeleireiro. “Já criança eu estava no meio dos cabelereiros que à noite eram Drag Queen. Com 15 anos, minha irmã mais nova fazia teatro e meus pais não deixavam menino hétero dormir lá em casa. Com os amigos gays, era na mesma cama”, relembra.
Hoje, além dos amigos, Titi tem uma legião de fãs coloridos, herança do trabalho ao lado da apresentadora Mari Moon no programa "Acesso MTV", entre 2010 e 2013 (com o término da emissora, a saída dela rendeu lágrimas ao vivo). “Assim que cheguei no Multishow pedi para apresentar a Banda Uó, e ali eu percebi que sou a Xuxa dos gays. Meu maior sonho era ser uma diva gay e, no fim das contas, hoje a maioria do meu público é gay.”
S.O.S. TITI
Titi é super conselheira. Além de falar de sexo nos programas noturnos, a apresentadora tinha um quadro em que respondia questões gerais de adolescentes à tarde. De algumas situações ela ainda se lembra.“Teve um guri que falou que o pai era travesti. Perguntei se ele era um bom pai, se faltava com responsabilidade ou era chato, e o ele falou que não. Seu problema é que ele tinha medo de ser zoado na escola. Então eu falei pra ele que a gente é zoado por tudo, por ser orelhudo, por ser gordo, e que a sociedade não está preparada para algumas coisas. O travesti é uma dessas, então falei pra ele imaginar o quanto é difícil, e por isso mesmo amar ainda mais o pai”, conta, emocionada.
Titi encerra a entrevista alegre e esperançosa: “Um dia a gente vai olhar e ver o quanto o preconceito contra gay é algo absurdo.”

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